Você sabe o que é a síndrome de burnout, que afeta cada vez mais profissionais no mundo?

Os sintomas já são bem conhecidos no universo corporativo: esgotamento físico e mental, baixa produtividade, estresse crônico e sensação de fracasso constante.

Inclusive, esse distúrbio já foi reconhecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e tem gerado inúmeros afastamentos do trabalho — e altos prejuízos às pessoas e empresas. 

Para evitar que seus colaboradores sofram desse mal contemporâneo, você precisa entender exatamente o que é a síndrome de burnout e como preveni-la. 

Siga a leitura e entenda qual o papel da gestão no combate ao transtorno. 

O que é a síndrome de burnout?

A síndrome de burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, é um distúrbio psíquico de estresse e exaustão intensos causado por condições de trabalho desgastantes.

O termo vem da expressão inglesa “to burn out”, que significa algo como “queimar por completo”.

Diferente de outros transtornos psiquiátricos, como a depressão e TAG (transtorno de ansiedade generalizada), essa condição está diretamente ligada à sobrecarga e pressão na vida profissional

Por essa razão, o maior fator de risco do burnout são as profissões e ocupações que exigem um envolvimento absoluto do profissional, como carreiras na saúde, assistência social, direito, publicidade, mercado financeiro, e também oficiais como bombeiros, policiais e agentes penitenciários. 

Mas a síndrome não é exclusiva dessas profissões, pois qualquer pessoa pode desenvolver uma relação compulsiva com o trabalho, principalmente em um cenário competitivo como o atual. 

Desde maio de 2019, a OMS reconhece a síndrome de burnout como um fenômeno ocupacional — e não uma condição médica —, com a seguinte descrição:

“Uma síndrome resultante de um estresse crônico no trabalho que não foi administrado com êxito, caracterizada pela sensação de esgotamento, cinismo ou sentimentos negativos relacionados ao trabalho e eficácia profissional reduzida.”

Essa definição é importante, pois confirma que o problema não é de responsabilidade individual do profissional, mas sim uma consequência direta do ambiente e condições de trabalho. 

Como surgiu a síndrome de burnout?

O primeiro a identificar o que é a síndrome de burnout foi o psicanalista alemão Herbert J. Freudenberger, que se auto diagnosticou no início dos anos 1970.

Ele identificou uma série de sintomas como exaustão resultante de excesso de trabalho e sinais físicos como dor de cabeça, insônia e fadiga, associando o burnout a um quadro depressivo. 

Mais tarde, nos anos 1980, a psicóloga social norte-americana Christina Maslach acrescentou novos sintomas à síndrome: exaustão emocional, despersonalização (tratar as pessoas ao redor com cinismo) e negligência com o trabalho. 

Mesmo com a publicação recente da OMS, a definição exata da síndrome de burnout ainda divide opiniões entre especialistas.

De qualquer forma, há consenso de que o núcleo do distúrbio é a exaustão, e, dependendo do paciente, podem se manifestar sintomas depressivos como desânimo, alterações cognitivas e transtornos do sono.  

Hoje, há uma preocupação dos especialistas com a banalização do termo burnout, que tem sido usado para descrever desde um cansaço temporário até quadros extremos de depressão — quase sempre com o intuito de minimizar o problema. 

Quais sintomas definem, de fato, o que é a síndrome de burnout?

Há vários sintomas que definem o que é a síndrome de burnout, mas o sinal mais claro é a sensação de esgotamento físico e emocional.

Logo, é preciso ficar atento quando surgem os seguintes sinais:

  • Cansaço excessivo, tanto físico quanto mental
  • Sentimentos de fracasso e insegurança
  • Negatividade constante
  • Sentimento de incompetência
  • Incapacidade de cumprir suas tarefas normalmente. 

Frequentemente, essa exaustão também leva a atitudes negativas involuntárias, tais como:

  • Episódios de agressividade 
  • Isolamento social
  • Ausências constantes no trabalho
  • Distanciamento da realidade
  • Cinismo com as pessoas ao redor
  • Mudanças bruscas de humor
  • Dificuldade de concentração
  • Lapsos de memória
  • Sintomas de ansiedade e depressão 
  • Pessimismo 
  • Baixa autoestima
  • Síndrome do impostor (sensação de inferioridade e subestimação das próprias capacidades).

Para completar o quadro, é preciso identificar os sintomas físicos associados à síndrome:

  • Dor de cabeça
  • Insônia
  • Sudorese
  • Palpitação
  • Pressão alta
  • Dores musculares
  • Crises de asma e alergias
  • Distúrbios gastrointestinais.

Síndrome de burnout no Brasil

Atualmente, a maioria dos profissionais brasileiros sabe o que é síndrome de burnout ou pelo menos já ouviu falar no transtorno.

Cerca de 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores brasileiros sofrem com a síndrome de burnout, segundo uma estimativa da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR), publicada em 2017.

A proporção é semelhante à de países como o Reino Unido, onde um a cada três habitantes têm a síndrome.

A mesma pesquisa ainda revela que o Brasil tem um prejuízo de 3,5% no PIB por conta da exaustão profissional — ou seja, o custo dos distúrbios pode ter ultrapassado R$ 64 milhões em 2019.  

Claramente, estamos diante de um problema global que atinge milhões de pessoas e se manifesta com força no país, conhecido por seus altos níveis de estresse profissional. 

Recentemente, com a crise político-econômica e aumento dos níveis de desemprego, o número de afastamentos pela síndrome de burnout só cresce.

Na opinião do professor da FGV Anderson Sant’Anna, houve um deslocamento das doenças associadas aos acidentes de trabalho para o sofrimento mental e doenças psicossomáticas.

Em entrevista ao Valor Econômico de 2019, ele afirma que o modelo de gestão adotado pela maioria das empresas brasileiras intensifica o adoecimento mental dos funcionários, pois há excesso de pressão por resultados e cobrança por atualização constante. 

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Em resposta, as empresas estão começando a se conscientizar e criar ações para reduzir o estresse dos colaboradores e prevenir o burnout.

Tratamento da síndrome de burnout: uma questão gerencial

Já ficou claro o que é a síndrome de burnout, agora vem a questão-chave: como tratar esse distúrbio epidêmico?

De acordo com a psicóloga Christina Maslach, que ajudou a definir o transtorno e hoje é uma das principais especialistas no assunto, a síndrome de burnout está sendo combatida do jeito errado.   

Em seu artigo Understanding the burnout experience, publicado em 2016 na revista World Psychiatry, ela explica que a classificação do distúrbio pela OMS diz apenas o que está errado com as pessoas, em vez de também responsabilizar as empresas

Por se tratar de um transtorno causado pelo trabalho, não adianta tratar — e muitas vezes, demitir — os indivíduos e não atacar a raiz do problema: o ambiente de trabalho ultracompetitivo, a sobrecarga de tarefas e a extrema pressão por resultados. 

Em nível individual, o profissional terá seus sintomas tratados e passará por reabilitação, mas, se nada mudar na empresa, poderá adoecer novamente assim que voltar ao trabalho. 

Ou seja: é a gestão que precisa ser mudada para garantir o bem-estar dos colaboradores e prevenir o esgotamento profissional. 

Segundo uma pesquisa da Gallup, publicada em 2018, estas são as principais causas que levam os profissionais ao burnout:

  • Tratamento injusto no trabalho, da parte de líderes e colegas
  • Carga de trabalho impossível de gerenciar
  • Falta de clareza sobre as funções, responsabilidades e expectativas
  • Falta de comunicação e apoio do líder e gestor
  • Pressão extrema para cumprir prazos fora da realidade. 

Essa lista confirma a perspectiva da psicóloga de que a síndrome de burnout é um problema gerencial, e não uma questão puramente individual ou relacionada às competências do colaborador. 

Além disso, as consequências negativas desse cenário são sentidas em vários indicadores da empresa: alto índice de absenteísmo, alto turnover, queda na produtividade e redução dos lucros. 

Por isso, o melhor tratamento é a prevenção, que significa criar um ambiente de trabalho saudável, com um clima positivo e bons níveis de engajamento.

4 passos para prevenir a síndrome de burnout na sua empresa

Agora que você entendeu o que é a síndrome de burnout e suas consequências para profissionais e empresas, já pode pensar em como prevenir o problema na sua organização.

Acompanhe o passo a passo para combater esse distúrbio ameaçador.

1. Comece pelo diagnóstico

O primeiro passo, naturalmente, é se perguntar como anda a saúde mental dos colaboradores e fazer um diagnóstico aprofundado das condições de bem-estar que a empresa oferece.

Para isso, você pode começar pelos instrumentos básicos como a pesquisa de clima, índice de produtividade e de engajamento.

Sejam quais forem os métodos utilizados, você terá que coletar a opinião dos profissionais da forma mais precisa possível.

Afinal, perguntar diretamente aos colaboradores é a melhor forma de descobrir como se sentem e o que poderia melhorar na empresa.

2. Mapeie as necessidades dos colaboradores

Depois de avaliar o clima geral da organização, você deve começar a estruturar as ações de prevenção a partir das necessidades dos colaboradores.

O psicólogo Frederick Herzberg tem uma proposta interessante para compreender os fatores-chave da motivação e satisfação humana: a “Teoria dos dois fatores”, que divide as necessidades dos colaboradores entre fatores higiênicos e motivadores.

Basicamente, os fatores higiênicos dizem respeito ao meio em que o profissional atua, incluindo aspectos como o ambiente físico, cultura organizacional, infraestrutura, liderança, relacionamentos, regulamentos internos, planos de carreira, etc. 

Já os fatores motivadores englobam atividades do cargo, como oportunidades de crescimento, desafios profissionais, reconhecimento, propósito, metas, entre outros aspectos que tornam o trabalho estimulante.

Logo, a combinação dessas duas dimensões pode formar a base para estruturar um programa de bem-estar na sua empresa.

3. Foque na liderança

Os líderes e gestores são os principais responsáveis pela motivação dos colaboradores, pois sua função é apoiar, orientar e guiar as equipes para alcançar os objetivos do negócio.

Não à toa, a liderança é sempre citada como um fator decisivo para o engajamento (ou esgotamento) dos profissionais.

Por isso, seus líderes devem ser os embaixadores do bem-estar dentro da empresa, adotando uma postura positiva, táticas de coaching e uma comunicação efetiva, por exemplo. 

4. Desenvolva um programa de bem-estar

Com um diagnóstico preciso da situação da empresa, você pode estruturar um programa de bem-estar junto ao RH.

Estes são alguns pontos-chave para melhorar a qualidade de vida e afastar a síndrome de burnout dos profissionais:

  • Oferecer mais flexibilidade para apoiar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, por meio de benefícios como home office e horários flexíveis
  • Disponibilizar atendimento psicológico e à saúde integral do colaborador (física, psicológica, financeira e emocional)
  • Ter espaços de descanso e convivência dentro da empresa, assim como ambientes que favoreçam o bem-estar e a tranquilidade
  • Criar um programa de reconhecimento para incentivar os profissionais
  • Oferecer oportunidades de avançar na carreira e se desenvolver profissionalmente
  • Melhorar a comunicação interna para manter o diálogo aberto e facilitar o acesso à informação.

Waggl: sua aliada contra a síndrome de burnout

Ficou claro o que é a síndrome de burnout e como prevenir esse fenômeno na sua empresa?

Para manter esse transtorno bem longe do seu pessoal, você pode contar com a Waggl para monitorar a experiência dos colaboradores e seus níveis de engajamento.

Nossa plataforma de crowdsourcing permite que você avalie as percepções do colaborador a partir dos três principais ambientes experienciais: físico, tecnológico e cultural.

Basta criar uma pesquisa pulso para coletar informações de forma simples, rápida e inclusiva, ampliando a frequência de escuta dos seus talentos para identificar qualquer tendência ao estresse e investir na prevenção. 

Assim, você poderá acompanhar o clima organizacional de perto e ouvir atentamente a voz do colaborador (employee voice) — o fator mais importante para evitar a síndrome de burnout. 

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