Nos últimos anos, cada vez mais empresas têm dedicado uma atenção especial ao bem-estar dos colaboradores, com iniciativas que vão desde incrementos simples no ambiente de trabalho, como cadeiras mais confortáveis, até medidas mais sofisticadas, como mudanças na cultura da empresa e planos concretos de desenvolvimento pessoal dos empregados.

Se você é um gestor de recursos humanos engajado no crescimento da sua organização não apenas em termos numéricos, mas que também se preocupa com o desenvolvimento a longo prazo das suas equipes, certamente deseja implementar medidas que promovam mais satisfação dentro da organização.

Para ajudar você nesse propósito, separamos algumas dicas com medidas importantes que geram um resultado tremendo no dia a dia das organizações. Acompanhe-nos ao longo deste artigo, encontre formas de aplicar esses processos na sua empresa e veja os benefícios na prática!

A cultura organizacional no centro das atenções

Antes de mais nada, é preciso conceituarmos claramente o que é cultura organizacional. Segundo Daniel Castello, mentor da Endeavor, a cultura de uma empresa é composta de tudo aquilo que comunicamos, de uma forma ou de outra, bem como dos significados que as pessoas derivam dessa comunicação.

Desde a escolha do local, elementos de decoração e identidade visual, até as palavras que são usadas no dia a dia: tudo compõe a cultura. A partir daí, fica fácil compreender que a cultura organizacional vai existir,  independentemente da existência de esforços conscientes para criá-la.

Assim, ao não tomar medidas proativas para a construção de uma cultura de aprendizagem, de respeito e de bem-estar geral, as empresas correm sério risco de se verem regidas por uma cultura tóxica e contraproducente. Tradicionalmente, foram as grandes multinacionais as primeiras empresas a se importarem em desenvolver esforços conscientes e orientados para a criação de uma cultura organizacional específica.

Isso porque, com sua expansão para diversos países ao redor do mundo, surge nessas organizações a necessidade de elaborar uma forma de trabalho e convívio unificada, gerando o sentimento de unidade em todas as suas bases e garantindo a manutenção do padrão dos produtos e serviços ofertados.

Mais recentemente, com a consolidação do Vale do Silício como referência de inovação nas empresas e gestão de talentos em tecnologia, e a ascensão das startups, a cultura empresarial se volta ainda mais em direção à satisfação do funcionário. Entende-se hoje que um trabalhador mais feliz é um trabalhador mais produtivo.

Os benefícios de um ambiente de trabalho voltado para o bem-estar

Longe de ser um benefício secundário, um ambiente de trabalho que se preocupa com o bem-estar dos seus colaboradores está intimamente relacionado ao aumento da produtividade da equipe.

Isso acontece porque as pessoas que trabalham em ambientes saudáveis se sentem naturalmente mais engajadas e mais à vontade. Elas conseguem se identificar melhor e mais rapidamente com os objetivos e estratégias traçados pela diretoria ao sentirem que sua satisfação pessoal também é importante para a empresa.

Além disso, ao engajar seus funcionários você consegue aumentar significativamente a retenção de talentos, podendo desenvolver carreiras a longo prazo e diminuindo a rotatividade de pessoal. Essa redução diminui os custos com demissão, contratação e treinamento. Ou seja: uma boa cultura e um bom ambiente de trabalho não só aumentam a produtividade, como também ajudam a reduzir os custos.

Como criar um ambiente de trabalho voltado para o bem-estar dos colaboradores

Agora que já entendemos o que é cultura organizacional, qual a sua importância e como ela pode afetar diretamente a produtividade das suas equipes e até mesmo os custos da sua operação, é hora de conhecermos algumas das estratégias mais eficazes para estimular o bem-estar dos colaboradores.

Ofereça um bom ambiente de trabalho

Como já vimos, tudo em uma empresa concorre para a criação da cultura organizacional, e o espaço físico não fica de fora. Pense, por exemplo, nos escritórios de empresas de tecnologia como Google e Facebook: ambientes modernos e arrojados, com cores vibrantes e organizados de forma a facilitar a colaboração entre pessoas de diferentes setores e projetos.

Obviamente, esse tipo de ambiente vai estimular o surgimento de uma cultura jovem e dinâmica, voltada para a interação e para a criatividade. Agora, imagine uma repartição pública. Provavelmente o ambiente conta com pouca ou nenhuma decoração, uma divisão de ambientes mais formal e que talvez não aproveite os espaços ao máximo, nem estimule a interação entre equipes.

Apenas com esse pequeno exercício, pudemos perceber claramente o impacto de um ambiente bem projetado e agradável nas relações entre funcionários e no quão à vontade eles se sentem para produzir ideias. Por isso, para criar um bom ambiente de trabalho, é imprescindível que você tenha em mente o tipo de dinâmica que deseja criar dentro da empresa, o espírito da organização, seus valores e quais sentimentos você deseja despertar nas pessoas enquanto elas trabalham.

Estimule as atividades físicas

papel do RH transcende os simples afazeres burocráticos do dia a dia das corporações e a contratação e demissão de pessoal. Como gestor de recursos humanos, você deve estar sempre em busca de novas formas de melhorar a qualidade de vida dos seus colaboradores, oferecendo as condições ideais para que atinjam todo o seu potencial.

Uma das formas mais eficientes de cuidar da saúde das suas equipes é o incentivo à prática de exercícios físicos. Existem muitas estratégias que podem ser adotadas dentro e fora do ambiente de trabalho, por exemplo:

  • ginástica laboral — já bastante conhecida no meio corporativo, a ginástica laboral visa gerar uma pausa no meio do expediente para movimentar o corpo. Consiste basicamente em alongamentos e exercícios simples que promovem a circulação sanguínea, lubrificam articulações e alongam tendões e ligamentos, prevenindo lesões comuns do ambiente de trabalho, como tendinite e LER;
  • aulas in loco — empresas mais arrojadas já contam com um espaço destinado para a prática de atividades específicas, chegando mesmo a oferecer gratuitamente aulas de diversos esportes após o expediente, como artes marciais e ioga, duas ou três vezes na semana;
  • parcerias com academias — caso sua empresa não disponha de um espaço que possa ser remanejado para a prática de atividades físicas, é sempre possível firmar parcerias com academias, negociando descontos para seus funcionários ou mesmo mensalidades gratuitas com base no desempenho das equipes.

Dê atenção à saúde mental

Além da saúde do corpo, cresce também ao redor do mundo o cuidado com a saúde mental. Impulsionadas por figuras como Dalai Lama e Deepak Chopra e respaldadas cada vez mais pelas descobertas da neurociência, práticas de meditação tomam conta das corporações, desde startups altamente tecnológicas até multinacionais já consolidadas com décadas de experiência de mercado.

Longe de ser uma prática exótica e restrita a religiosos, a meditação já vem ganhando espaço dentro das empresas nos Estados Unidos e na Europa há bastante tempo, e começa a aterrissar aqui no Brasil. Existem diversas formas de se praticar a meditação no dia a dia: com ou sem mantra, alinhada ou não a alguma prática espiritual, em grupo ou individualmente, de olhos abertos ou fechados, guiada ou livre, etc.

Por ser um exercício cujo objetivo é trazer a atenção para o momento presente, a incorporação da meditação na rotina traz muitos benefícios, como:

  • mais clareza de pensamento;
  • estímulo da gentileza no trato com as outras pessoas no ambiente de trabalho;
  • comunicação mais clara e menos violenta;
  • redução do grau de ansiedade e estresse;
  • aumento na capacidade de foco;
  • maior empatia;
  • maior objetividade.

Aqui, assim como acontece com os exercícios físicos, é cada vez mais comum que as próprias empresas separem um espaço dedicado à meditação em seus escritórios. É interessante também que se promova um seminário ou workshop com algum especialista que possa apresentar a meditação aos colaboradores, explicar seus benefícios e ensinar-lhes a dar os primeiros passos.

Crie um bom clima organizacional

Criar um clima organizacional descontraído e ao mesmo tempo profissional, pode ser um desafio tremendo. Afinal, você não quer que seus funcionários fiquem relaxados a ponto de ignorar prazos e metas, mas também não os quer tão tensos que fiquem à margem de um burnout.

Algumas estratégias costumam gerar resultados bastante positivos em todas as empresas, sem gerar aumento de custos e proporcionando um ganho de produtividade  inegável a médio e longo prazo. Uma estratégia interessante para manter as pessoas motivadas é oferecer benefícios individualizados, tratando os colaboradores de acordo com o momento de carreira em que se encontram.

Alguém em início de carreira pode achar mais interessante a possibilidade de reembolso de gastos referentes a cursos de formação técnica, que podem alavancar sua carreira mais rapidamente. Um funcionário mais antigo, por outro lado, pode se sentir mais tentado a aceitar um cargo no qual haja um plano de previdência complementar ou creche para seus filhos.

Trazer as famílias para perto da empresa também costuma render bons resultados. Promova ocasiões nas quais maridos, esposas, filhos e pais possam visitar a empresa e conhecer mais de perto o dia a dia de trabalho de seus familiares. Outra alternativa é incluir a família nas confraternizações tradicionais da empresa.

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Ouça seus colaboradores

Um dos motivos pelos quais as redes sociais fazem tanto sucesso é que nelas as pessoas se sentem à vontade para se expressar. Da mesma forma, organizações onde todas as decisões são tomadas de cima para baixo, impostas sem consultar a opinião daqueles que fazem o dia a dia da companhia, estão fadadas ao fracasso.

Seus colaboradores são as pessoas que lidam diretamente com os problemas e desafios da organização, e provavelmente possuem diversos insights valiosos que podem indicar os melhores caminhos a serem tomados, com base nas suas experiências pessoais, em seu contato com clientes e fornecedores e nas trocas com membros de outras equipes.

Uma simples pesquisa de satisfação, por exemplo, quando bem executada, pode fornecer aos gestores ideias preciosas do que precisa ser feito dentro da empresa a fim de estimular a criatividade, reter talentos e melhorar o desempenho das equipes. Organizar reuniões individuais de feedback e pesquisas pulso também são excelentes formas de fazer as pessoas se sentirem ouvidas e valorizadas dentro da empresa.

Com os avanços da tecnologia, ficou muito mais fácil engajar as equipes e ouvir a opinião real de seus funcionários, que podem se expressar sem medo de represálias com o uso de plataformas de crowdsourcing ou de aplicativos desenvolvidos especificamente para esse fim.

Adote a flexibilidade

Rotinas engessadas não agradam a ninguém. Se você mora em um grande centro urbano, ter horários de trabalho convencionais e inflexíveis pode trazer mais transtornos do que benefícios.

Pensando nisso é que cada vez mais empresas têm apostado em formatos de trabalho que oferecem flexibilidade de rotina e horários. Cada vez mais se tem investido no home office, tendência que permite que as pessoas trabalhem de casa por um ou mais dias da semana, poupando tempo e recursos e aumentando a qualidade de vida.

Mesmo que seu ramo de atuação não permita medidas tão drásticas, reúna-se com os gestores de cada área e procure formas de flexibilizar o trabalho dos colaboradores. Podem ser medidas mais simples, como não fazer reuniões às segundas-feiras pela manhã, flexibilizar o vestuário às sextas-feiras ou mesmo oferecer horários de almoço mais longos.

Esse tipo de iniciativa, mesmo pequena, causa um impacto tremendo na motivação das equipes, que se sentem tratadas como seres humanos em vez de apenas peças na engrenagem da organização.

Controle os níveis de estresse

Não importa o quanto você invista em práticas saudáveis, sempre haverá momentos em que as demandas da empresa serão mais elevadas. Nesses períodos, é natural que os ânimos se agitem um pouco e que o nível de estresse suba além do normal. Como gestor de recursos humanos, é fundamental que você esteja atento a essas oscilações no humor geral e adote medidas eficazes para evitar que as coisas saiam do controle.

Algumas das estratégias que apontamos acima podem ser de grande ajuda nesses momentos de crise, como estimular a meditação, flexibilizar horários e praticar a escuta ativa e atenta das necessidades das pessoas.

Existem também outras técnicas que podem ser de grande valia, e que podem ajudar as pessoas a pensar com mais clareza, evitando conflitos desnecessários, confira:

  • mantenha os conflitos na esfera profissional — lembre seus colaboradores de que conflitos são naturais e necessários ao crescimento, mas que o fato de haver discordâncias quanto à abordagem de determinado problema não significa que haja um conflito entre as pessoas envolvidas;
  • trace e explique prioridades — é papel dos gestores traçar as prioridades de suas equipes, elencando cada coisa de acordo com seu grau de importância e urgência. Se seus colaboradores entendem a hierarquia das prioridades e por que elas foram organizadas dessa forma, fica mais fácil contornar as crises;
  • providencie os recursos necessários — em tempos de estresse, é fácil que as pessoas se esqueçam de detalhes menos importantes, como a organização do ambiente ou a ausência de algum recurso. Procure colocar à disposição dos colaboradores tudo aquilo de que eles precisam para passar por essa turbulência;
  • promova pausas estratégicas — durante uma reunião acalorada, por exemplo, as pessoas podem se exaltar e deixar tudo ir por água abaixo rapidamente. Treine os líderes para identificar momentos críticos e promover pausas para café e água, ajudando as pessoas a respirar e voltar para a reunião com mais calma.

Estabeleça metas desafiadoras, mas realistas

O nível de satisfação em um ambiente de trabalho depende de uma série de fatores, como vimos, mas certamente um dos elementos determinantes no nível de estresse gerado no trabalho e, consequentemente, no engajamento e na satisfação dos colaboradores, é a forma como se definem as metas a serem atingidas.

Um bom gestor consegue encontrar o ponto de equilíbrio entre os anseios da empresa por crescimento sem aumento dos custos operacionais e a qualidade de vida de seus empregados enquanto perseguem essas metas. Assim, deve-se sempre procurar estabelecer metas que sejam, ao mesmo tempo, desafiadoras e realistas. Se as metas não são desafiadoras o suficiente, as pessoas podem ficar desmotivadas, sentindo que seu potencial não está sendo desenvolvido ao máximo.

Por outro lado, metas excessivamente exigentes e pouco realistas geram um sentimento de frustração, uma vez que os funcionários percebem de antemão que será praticamente impossível alcançá-las.

Converse com os líderes das equipes e procure formas de encontrar metas sempre equilibradas. Para tanto, vocês sempre podem recorrer ao histórico de metas do setor e mesmo à opinião de membros mais antigos das equipes, que podem trazer importantes contribuições a partir de suas experiências de mercado.

Revise suas métricas de desempenho

Métricas e avaliações de desempenho são ferramentas importantes na gestão de pessoas. Por meio delas, é possível acompanhar o crescimento profissional dos seus colaboradores, reconhecendo o bom desempenho dos que se destacam e traçando estratégias para extrair o melhor daqueles que, por um motivo ou outro, ficaram aquém do esperado.

avaliação de desempenho tradicional, porém, já não consegue dar conta das realidades de trabalho contemporâneas. Essas avaliações partem de uma visão de mundo estruturalista, que vê organizações como máquinas e funcionários como engrenagens, que estão ali apenas para desempenhar uma função específica e que, caso seja necessário, podem ser substituídas facilmente.

Alguns dos principais motivos para você abandonar a avaliação de desempenho tradicional são:

  • a visão simplista do funcionário, baseada no modelo funcionalista muito em voga na primeira metade do século XX, que via o operário das fábricas apenas como um dado estatístico;
  • o ciclo de avaliações, geralmente anual, não acompanha a agilidade e o dinamismo do mercado atual, que requer correções de estratégia pontuais e constantes;
  • avaliações de desempenho tradicionais são pensadas para as empresas, não para os funcionários. É muito mais produtivo que as avaliações fiquem por conta dos líderes das equipes, que acompanham de perto as necessidades e esforços dos seus liderados, conseguindo ter uma visão muito mais precisa da realidade.

Em vez de adotar um modelo de avaliação tradicional, considere implementar um formato de feedback e feedforward, no qual, líderes e membros das equipes conseguem ter conversas pontuais para direcionar esforços e corrigir erros antes que eles se tornem grandes problemas.

Invista no relacionamento com os clientes

Bons profissionais não procuram apenas empresas com um bom fluxo de caixa. Cada vez mais as pessoas estão estendendo seus valores pessoais também para o trabalho, e querem fazer parte de uma organização que entrega valor aos seus clientes, muito mais que produtos e serviços.

Dados como fluxo de caixa e custo operacional podem ser mensurados de forma concreta, enquanto engajamento de clientes e confiança na marca são ideias mais sutis e difíceis de colocar em uma planilha.

Adote o NPS

Para sanar essa dificuldade é que foi criado o Net Promoter Score (NPS), um índice calculado a partir de uma única e simples pergunta enviada aos clientes: de 0 a 10, quais as chances de ele recomendar seus produtos ou serviços a outras pessoas?

Ao adotar medidas para elevar o NPS e o seu valor de marca perante os clientes, você gera, em seus colaboradores, um sentimento de orgulho e satisfação por fazerem parte de uma empresa bem-vista pela sociedade.

Como vimos, existem inúmeras maneiras de estimular o bem-estar dos colaboradores em sua empresa: desde medidas simples, como uma decoração mais amigável, até o uso de ferramentas tecnológicas de crowdsourcing e pesquisa de satisfação.

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